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Guardiões da natureza

Janaina Oliveira - Repórter

Desde menino, Leonardo Henrique da Silveira, hoje com 25 anos, sabia da importância de preservar o ecossistema. Apesar da pouca idade, tinha consciência de gente grande. Terminado o 2ºgrau, não hesitou. Prestou vestibular para Engenharia de Produção com ênfase em Gestão Ambiental e, aprovado, matriculou-se na Faculdade de Engenharia de Minas Gerais (Feamig). Na sala de aula, encontrou o amigo e 'cúmplice' Felipe Oliveira Carneiro, 22 anos. E o que era apenas uma preocupação comum entre os dois foi ganhando embasamento técnico. À medida que acumulavam ensinamentos teóricos, viam crescer também a vontade de trabalhar como guardiões da natureza. Até que, após meses de estudo na universidade, pesquisa e observação, conseguiram desenvolver um projeto em prol do meio ambiente. A solução, batizada de Absorventes Sintéticos para diminuição de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) em Caixas Separadoras de Água e Óleo e Caixas de Gordura, rendeu à dupla, além de muita satisfação, o 5º lugar no prêmio Sociedade Mineira de Engenheiros de Ciência e Tecnologia, em 2005.

Batendo perna e até vasculhando a caixa de gordura da cantina da faculdade, os universitários perceberam as enormes dificuldades que indústrias de segmentos diversos - postos de gasolina, distribuidoras de combustíveis e restaurantes de grande porte - enfrentavam para controlar e atender os parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Tentaram trabalhar com areia e algodão. Frente à inviabilidade, trocaram de matéria-prima. 'Adaptamos a caixa separadora de água e óleo para receber um travesseiro de microfibras de polipropileno, material de alta capacidade de absorção de óleos e derivados de petróleo associado a um custo relativamente baixo', revela Felipe. 'Os absorventes sintéticos são utilizados em acidentes como, por exemplo, vazamentos de óleos lubrificantes em mananciais e no mar', completa Leonardo.

Paralelamente ao desenvolvimento industrial e tecnológico, os temas ambientais ganharam notoriedade após uma série de desastres nas últimas décadas. Foi também a fonte de inspiração para os estudantes. De posse das estatísticas - segundo eles, uma única gota de óleo é capaz de contaminar um milhão de litros de água -, e com o projeto em mãos, resolveram testar na prática as muitas idéias que tinham em mente. Com a ajuda de um outro colega de classe e 'amigo de causa', o empresário Reuter Guimarães, da Biotecma Biotecnologia e Meio Ambiente, com sede em Santa Luzia, conseguiram realizar experimentos no laboratório da empresa.

Depois de testada e aprovada, a invenção passou a ser comercializada pela Biotecma pelo preço inicial de R$ 110. 'Muitas empresas gastam rios de dinheiro construindo Estações de Tratamento de Esgoto (ETE). Uma estação de médio porte, por exemplo, custa, em média, R$ 350 mil. Mas, se antes do descarte do resíduo for feito um tratamento primário, o gasto com produtos químicos será bem menor, sem falar na segurança do procedimento para o salubridade das águas', assegura.

Os resultados foram os melhores. Conforme garante os jovens, a capacidade de absorção do invento foi no mínimo 10 vezes o seu peso. 'Pela sua composição, o absorvente não é inflamável e é resistente a várias intempéries como raios solares, chuvas e umidade, além de agir imediatamente após a sua colocação na Caixa Separadora de Água e Óleo e Caixa de Gordura. Necessita, apenas, do dimensionamento da caixa', enfatizam. E mais. Os estudantes garantem que a solução é ecologicamente correta. 'Ela atende requisitos legais ambientais, flutua indefinidamente em água mesmo quando totalmente saturado, não necessita trabalho adicional para alcançar sua máxima absorção e ao ser incinerado não gases tóxicos.' www.bmaambiental.com.br

Matéria Publicada no Jornal HOJE EM DIA - Quarta-Feira 22/03/2006

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